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Storytelling na educação: a utilidade para sua graduação

O poder que uma boa narrativa exerce sobre nós é algo inegável. Você se lembra de como era gostoso ouvir histórias na infância? Ou mesmo depois de adulto, todos nós já sentimos a sensação de não querer largar aquele livro que te prende do início ao fim ou aquele filme que te deixa com os olhos grudados na tela.

Mas a contação de histórias vai muito além do entretenimento e do mundo da imaginação. Essa é uma das ferramentas mais poderosas para o aprendizado e foi o grande diferencial para o desenvolvimento do ser humano.

No post de hoje, falaremos um pouco mais sobre esse assunto e como ele se relaciona ao ambiente de ensino — não só para crianças, mas também durante o Ensino Superior. Continue acompanhando e saiba mais sobre o uso do storytelling na educação:

O que é storytelling?

O termo em inglês storytelling, em tradução livre, significa a contação de histórias. Essa é uma capacidade natural do ser humano, afinal, contar histórias faz parte da nossa natureza e é uma das habilidades mais antigas na comunicação humana — já fazíamos isso há mais de 30 mil anos, muito antes da invenção da escrita ou do surgimento das línguas, por meio das pinturas rupestres.

Hoje em dia, a palavra também se refere a um conjunto de técnicas desenvolvidas para a criação de narrativas — uma espécie de “fórmula” das histórias, como mostraremos mais adiante.

Mas mais do que um conjunto de boas práticas, o storytelling é uma técnica eficiente para criar conexão, ilustrar situações e, especialmente, atrair e prender a atenção do seu interlocutor — seja ele um leitor, ouvinte, espectador etc. Devido à sua eficiência, muitas áreas se apropriaram dessa técnica, como é o caso dos meios de comunicação, publicidade e marketing.

A educação também é uma área que pode se beneficiar bastante das técnicas do storytelling, visto que a transmissão de conteúdos por meio de narrativas ser uma forma muito mais eficiente para a fixação e assimilação das informações do que a simples apresentação de dados e fatos usada nas metodologias de ensino tradicionais.

Storytelling na educação: qual é a relação entre narrativas e aprendizado?

Você já notou como é mais fácil assimilar informações quando inseridas dentro de um contexto? Isso não acontece de forma aleatória. Ouvir histórias aumenta significativamente os níveis de atividade cerebral, tanto que já existem estudos que relacionam a leitura de histórias para crianças ao melhor desenvolvimento cognitivo na vida adulta.

As histórias têm o poder de aguçar a curiosidade e despertar empatia — ao ouvir uma narrativa, o cérebro libera dopamina, um hormônio ligado ao prazer e à conexão emocional. Além disso, informações transmitidas em forma de histórias são mais compartilháveis, o que faz com que aquilo que foi contado seja capaz de atingir um número maior de pessoas.

Segundo a teoria de ensino e aprendizagem desenvolvida pelo psicólogo Jerome Bruner, a chance de memorizarmos algo que esteja conectado a uma história chega a ser 20 vezes maior do que quando ouvimos um fato isolado. Ou seja: as narrativas também são uma ferramenta extremamente útil para a assimilação de conteúdos no longo prazo.

Como usar o storytelling na educação?

No ambiente escolar, é comum notarmos o uso de técnicas de storytelling, especialmente em materiais didáticos — livros de determinadas disciplinas que usam um grupo de personagens em diversas situações, criadas para ilustrar os conteúdos pedagógicos ao longo do ano letivo, por exemplo.

Porém, o poder das histórias vai muito além do ensino básico. Elas também podem ser aplicadas durante a graduação, tanto por professores quanto por alunos. Além de ser uma forma de humanizar o conteúdo, usar o storytelling na educação é uma forma de tornar as aulas mais criativas, dinâmicas e interessantes.

Para os alunos, essa técnica torna-se um grande diferencial na apresentação de trabalhos, não apenas por prender a atenção dos ouvintes. Desenvolver uma história a partir de um conteúdo acadêmico é uma forma de mostrar ao professor sua capacidade de assimilar, refletir sobre os dados e fatos e desenvolvê-los de uma maneira totalmente diferente da forma com a qual você teve o contato inicial. É um sinal de dedicação ao processo de elaboração do trabalho e de domínio do conteúdo transmitido.

Outra vantagem da técnica é que, por ser altamente visual e estimulante, é possível usar ferramentas audiovisuais para complementar a história e torná-la mais envolvente, como imagens, áudios e vídeos.

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Quais são os princípios e como aplicar essa técnica?

Para desenvolver uma boa narrativa, é possível adotar modelos baseados em teorias de storytelling. A jornada do herói, ou monomito, é uma delas, desenvolvida por Joseph Campbell em “O herói de mil faces”.

Ela se baseia em algumas premissas que podem ser usadas para construir histórias de diversos temas e assuntos e se aproxima bastante dos conceitos de narrativa presentes na literatura e em filmes. A jornada do herói se divide em 7 momentos, sendo eles:

1. Introdução

É o início da narrativa, o momento em que se introduz o herói em seu contexto — ou seja, seu estado antes do grande acontecimento que levará ao desenrolar da história. Essa é uma etapa essencial para criar empatia e fazer com que o interlocutor se conecte com a figura do herói.

2. Apresentação do problema

Essa é a etapa em que o desafio que o herói precisa superar será apresentado ao público. A apresentação do problema não deve demorar a acontecer na narrativa, visto que é ela que despertará a curiosidade para que o interlocutor continue conectado e acompanhando os desdobramentos da história.

3. Recusa ao chamado

Esse é o momento em que se apresentam os impeditivos, as fraquezas do herói que fariam com que ele não fosse capaz de superar o desafio. Além de humanizar a figura do herói, essa etapa também mostra que o problema em questão não deve ser subestimado.

4. Oferta de ajuda

Apresentadas as dificuldades do herói, surge algo ou alguém que pode ajudá-lo a superá-las. Em geral, aparecem como soluções, ferramentas, mentores ou guias que auxiliarão o herói ao longo de sua jornada.

5. Superação em etapas

Nesse momento, a história deverá mostrar todo o caminho percorrido pelo herói para a superação do problema. Esse caminho nunca pode ser apresentado de forma banal ou fácil demais, mas sim demonstrando que ele se torna mais forte e capaz aos poucos, a cada etapa da história.

6. O desafio final

Esse é o momento em que o herói finalmente encara o grande problema — que, quase sempre, não era exatamente o que se pensava no início da história. O desafio não é apenas algo externo ao herói, há também uma dificuldade interior que precisa ser superada. Aqui, a mensagem transmitida é de superação, força e coragem, tornando o herói admirado pelo público.

7. Resolução e conclusão

A conclusão é o fechamento da história, mostrando qual foi o desfecho do herói após ter vencido o desafio e como as lições e crescimento trazidos pela jornada transformaram a sua vida.

Vale ressaltar que, para usar a técnica de storytelling na educação de forma eficiente, é preciso desenvolver um bom roteiro, levando em consideração a mensagem a ser transmitida, o objetivo, a forma como a história será contada e, principalmente, o público. Isso te ajudará a traçar o tom e a linguagem que você usará para cativar o seu leitor e contar a sua história.

E para finalizar, nossa dica de ouro é: faça testes! Escreva e reescreva sua história, faça alterações e conte-a para outras pessoas. Só assim você terá certeza de que ela causará o impacto que você deseja.

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